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Home»Entretenimento»Matuê dá passo atrás com álbum ‘Xtranho’, que só é disruptivo para adolescentes; leia crítica
Entretenimento

Matuê dá passo atrás com álbum ‘Xtranho’, que só é disruptivo para adolescentes; leia crítica

dezembro 13, 2025Nenhum comentário0 Visitas

Matuê dá passo atrás com álbum que só é disruptivo para adolescentes
Título: “Xtranho”
Artista: Matuê
Nota: 4/10
De estranho mesmo no novo álbum do Matuê, só o tamanho do passo atrás que ele dá com esse trabalho.
“Xtranho”, terceiro disco do rapper cearense, foi lançado com investimento alto em marketing: uma megaestrutura foi montada no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, para uma audição que reuniu milhares de fãs em plena quarta-feira (10).
Também pudera. O artista não é só o maior nome do trap (a vertente mais arrastada do rap, que bomba nas paradas musicais). É também o maior ídolo jovem da música brasileira atualmente. E fez por merecer esse sucesso.
Milhares de fãs se reuniram para audição do álbum ‘Xtranho’, de Matuê, no Vale do Anhagabaú, em São Paulo
Reprodução/Instagram/Matuê
Em uma carreira relativamente curta — o primeiro álbum, “Máquina do Tempo”, saiu em 2020 –, Matuê acumulou plays, lotou shows e, acima de tudo, conseguiu encontrar uma identidade sonora própria, algo raro na música pop.
Com referências que vão do reggae ao indie rock psicodélico, seu álbum “333”, de 2024, se tornou um dos melhores trabalhos de rap dos últimos anos no Brasil. A busca filosófica pelo som ideal e as reflexões sobre o sucesso nas músicas fizeram o rapper ser respeitado além da bolha do trap, e levaram sua carreira a um patamar novo.
Corta para dezembro de 2025 e Matuê surge muito mais elementar.
Matuê durante audição do álbum ‘Xtranho’, no Vale do Anhagabaú, em São Paulo
Reprodução/Instagram/Matuê
“Xtranho” é vendido como um manifesto pelo trap underground. Na teoria do material de divulgação, é um trabalho com sonoridade disruptiva, criada para incomodar e desafiar regras da música comercial.
As parcerias com nomes bem menos conhecidos até rendem momentos interessantes. Duetos com a cantora capixaba Kouth em “Ícone Fashion” e com a paulistana Cashley em “Autobahn”, por exemplo, ajudam a fortalecer o negligenciado trap feminino.
Mas a verdade é que, na maior parte do tempo, o álbum de Matuê não tem muito de inovador. Pelo contrário, reproduz o estilo de produção, as mesmas distorções e texturas sonoras imersivas dos nomes americanos do trap: Travis Scott, Metro Boomin, Playboi Carti e outros artistas — que, diga-se de passagem, são bastante comerciais.
Mesmo faixas um pouco mais esquisitonas, como “Facas e Machados” (com o pernambucano Fab Godamn e o paulistano Okie), desperdiçam a atmosfera intensa e agressiva com uma letra simplesmente… boba. “Eu sou um mano muito revoltado, preciso fumar alguns baseados”, cantam os três, com sotaque americanizado.
Em termos líricos, Matuê parece outro artista no “Xtranho”, se comparado ao do “333”. “Não me vê, que o preto da minha Lamborghini é matte. O seu ex é broke, ele anda numa Smart”, diz a letra de “Alterado” (com o mineiro Phl Notunrboy).
Um dos pilares do discurso do trap, a ostentação sempre fez parte do repertório do cantor. Mas, se uma vez já serviu como ferramenta quase confessional em relatos dele sobre a fama, agora a abordagem é fútil e adolescente.
Digna de adolescente também foi a decisão de incluir na música “Rei Tuê”, em tom de deboche, o áudio viral de uma menina contando ter sido agredida durante o show do rapper Don Toliver no festival The Town, em setembro deste ano, em São Paulo.
Matuê se apresenta no The Town 2025
Fábio Tito/g1
É o tipo de coisa que só parece disruptiva para meninos que ainda não saíram do Ensino Médio. Mas também é fato que boa parte do público brasileiro de trap faz parte desse grupo.
Como principal nome desse estilo no país, Matuê já foi muito criticado por fãs mais conservadores, por nem sempre seguir à risca os moldes do gênero surgido nos Estados Unidos. Aderir à linhagem do trap mais cru no novo trabalho talvez seja uma resposta dele a essas críticas — o que pode, sim, agradar um nicho específico.
Uma pena, porque Matuê tem potencial para ser muito mais que um artista de nicho.

Fonte: G1 Entretenimento

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